Como nunca levei um murro no estômago, descreverei o impacto que o "Ensaio sobre a Cegueira" provocou em mim como uma bolada nas mamas (o filme, porque infelizmente ainda não o li).
Ia tábua rasa, sem conhecer pormenores do argumento e sem estar a par de polémicas. E aquilo mexeu comigo como já há muito nenhuma narrativa, literária, fílmica ou outra, mexericava.
A todos quantos leram o livro, viram o filme e / ou estão a par dos últimos desenvolvimentos em torno dos mesmos, algumas questões:
- Porque é que os burros dos americanos, não querendo ofender mas já o tendo feito, não receberam bem o filme? (Bem, creio que a pergunta contém em si própria a resposta...)
- Em que medida os cegos americanos se sentiram ofendidos com o filme? (A sério, não vejo espécie alguma de ofensa)
- A história não se resume, afinal, a 2 ou 3 ingredientes antípodas? A podridão inerente à condição de ser-se humano e uma surpreendente capacidade de amar o próximo nas situações mais extremadas?
- (E o som do sininho que acompanha o filme?...)
- Não tiveram, como eu tive, um quase eminentíssimo ataque de pânico na cena de violação? Ia-me saindo o coração e as tripas e a vesícula e o baço e tudo pela boquinha pequenina...
- E que interpretação deram à recuperação do homem oriental quase no fim do filme?...
PS - Adorei o argumento, o elenco, o "syuzhet" (!) e a realização, mas creio que só porque não exploraram muito a imagem das crianças no meio daquele degredo todo; de outra forma, teria tido mesmo de sair portas fora... Potente... E imperdível.