02 dezembro 2008

Blindness

Como nunca levei um murro no estômago, descreverei o impacto que o "Ensaio sobre a Cegueira" provocou em mim como uma bolada nas mamas (o filme, porque infelizmente ainda não o li).

Ia tábua rasa, sem conhecer pormenores do argumento e sem estar a par de polémicas. E aquilo mexeu comigo como já há muito nenhuma narrativa, literária, fílmica ou outra, mexericava.

A todos quantos leram o livro, viram o filme e / ou estão a par dos últimos desenvolvimentos em torno dos mesmos, algumas questões:

- Porque é que os burros dos americanos, não querendo ofender mas já o tendo feito, não receberam bem o filme? (Bem, creio que a pergunta contém em si própria a resposta...)

- Em que medida os cegos americanos se sentiram ofendidos com o filme? (A sério, não vejo espécie alguma de ofensa)

- A história não se resume, afinal, a 2 ou 3 ingredientes antípodas? A podridão inerente à condição de ser-se humano e uma surpreendente capacidade de amar o próximo nas situações mais extremadas?

- (E o som do sininho que acompanha o filme?...)

- Não tiveram, como eu tive, um quase eminentíssimo ataque de pânico na cena de violação? Ia-me saindo o coração e as tripas e a vesícula e o baço e tudo pela boquinha pequenina...

- E que interpretação deram à recuperação do homem oriental quase no fim do filme?...


PS - Adorei o argumento, o elenco, o "syuzhet" (!) e a realização, mas creio que só porque não exploraram muito a imagem das crianças no meio daquele degredo todo; de outra forma, teria tido mesmo de sair portas fora... Potente... E imperdível.

7 comentários:

u João disse...

Olá!Excelente texto, fiquei cheio de curiosidade em ver o filme.

sweetie disse...

É mesmo isso! Um autêntico estalo na cara!
Eu também (ainda) não li o livro, por isso não sabia bem com o que contar.. sai do cinema completamente atordoada!
Estranho seria que os norte.americanos aplaudissem o filme de pé.. mudar consciências demora muuuuito tempo.
Os cegos em nada se devem sentir ofendidos, já que claramente a ideia não passa por menosprezar ninguém.
Sim , basicamente é isso.. se bem que também está implícita a fugacidade das coisas, até onde vão os limites e faz.nos pensar sobre as coisas a que não damos o devido valor... digo eu!
Ai eu até me tava a sentir incomodada com essa cena! (vê.se mesmo que nas piores circunstâncias, as necessidades mais básicas não se alteram..)
Em relação à recuperação do senhor, acho que foi alguém que aprendeu com o que viveu, alguém que abriu verdadeiramente os olhos ao que é de valor e que deixou de depositar a felicidade e a realização no materialismo.
Bem que precisamos de mais filmes destes, ("alarmes" como referi no meu post).

Beijinho!

PAH, nã sei! disse...

não diria melhor... exactamente a mesma opinião....

e juro...
juro mesmo, que se puxassem um bocadinho mais,
desatava a chorar que nem uma Madalena ao ver comparado o comportamento animalesco do "bicho Homem", com os cães que se alimentavam do cadáveres humanos.

Afinal que será mais irracional???

Rita disse...

É fantástico não é! Concordo com tudo que disseste, é poderosíssimo.

Paulo disse...

Apesar de não estar no meu top de livros preferidos do Saramago, quando o li disse que era um daqueles livros que só podia acabar em filme, tinha lá todos os ingredientes reunidos para tal. Achei-o o livro português mais cinematográfico de sempre, pelo menos ao estilo hollywood.

Isandes disse...

Pah não sei! & Paulo, bem-vindos e obrigada pelo comment!

irre_place_able disse...

O filme do ano para mim... Já sabia partes do livro, e a história em si, mas fiquei deveras surpreso com a captação da imagem, sons, e com os temas metafóricamente abordados!

Impossível sair deste filme cheios de questões... Mas vale mesmo MUITO a pena!

E, também, quero ler o livro para efeitos de comparação claro!

Kiss