Que os meandros da sedução têm a sua quota-parte de inexplicabilidade, não é novidade. Nem sempre nos apaixonamos pelo bom e bonito; não conseguimos explicar o frisson que sentimos quando aquele arrogante nos lança um olhar aparentemente inofensivo; quanto mais me bates mais gosto de ti; perdemos várias vezes o apetite, o sono e a vergonha... (a virgindade também, mas apenas uma vez).
Agora, o que me intriga é a abissal distinção de tratamento entre as diversas fatias etárias. Ó sr.Freud, desculpe lá acordá-lo desse sono profundo, may your soul RIP, mas explique porque é que sou bonita para um puto de 9 ou 13 anos, mas feiota e ressequida para um de 28? E não me venham com a explicação da teoria dos modelos - ai, porque a criança é pequenina, és uma projecção da figura materna; quando se é adolescente, as figuras adultas mais presentes funcionam como um repescar de fantasias com a professora primária; aos vinte, está-se carente e mesclam-se os afectos, reú beú béu, pardais ao ninho. Not. Não me deixo convencer assim tão facilmente.

Olhai e vede a minha experiência:
- ao nível do pré e do 1º ano, os putos, rapazes, não as putas, raparigas, abraçam-me, penduram-se nas minhas roupas até eu vergar o pescocinho para uma beijoca embebida em saliva. Dizem-me (diziam-me, que agora não tenho trabalhado nesse nível, thanks God) "ai teacher, I love you, queres namorar comigo?". ao que eu respondia: [silêncio.]
- do 2º ao 3º, tipo 7-9 anos, ignoram-me bastante bem, exceptuando aquelas breves suspiros quando inventam uma parecença física com uma personagem feminina dos Morangos.
- no 4º, já ouvi um "Ó teacher, quer emagrecer? Eu cá acho que está belíssima!" (esta é do Leo, meu ex-aluno júnior preferido de todo o sempre!)
- do 7º para a frente, admiram-me caso não mantenha contacto directo com eles: mandam piropos na rua, assobios nos corredores, olhares de carneiro mal morto, etc etc... Quando temos ali uns encontros bisemanais no âmbito de uma relação profissional, aí, já não sou "boua", nem tenho um "ei, que cú bom".
- ao longo da casa dos vintes, os miúdos tratam-me por "você", o que na cabecinha deles equivale a um "tu aí, cota praí com uns 40 ou 30 ou será 40, não interessa, risca".
- depois, nos trintas, a coisa varia. ai varia, pois. Uns tratam-me de igual para igual,:pois muito bem, se tu estás encalhada, eu também estou. Outros, tóines de m*, alimentam e dão prolongamento ao mito de casal com par masculino mais maduro acompanhado de pitinha a quem a lei da gravidade não fez ainda das suas. (sim, há aqui algum rancor da minha parte em relação a estes.).
- dos 40 para a frente [reparem na minha clara discriminação em relação a este futuro distante, indistinto e com que não me quero preocupar agora, lol], são todos uns babosos, - o que mexer, morre.
Tudo isto não é um queixume, já que tenho perfeita noção da dose de beleza que me foi concedida aquando da encomenda por parte dos meus papis aos srs da La Cegonhe, SA; sim, nunca se pode agradar a gregos e turcos. É mesmo porque gostava de compreender estas assimetrias. Ora digam lá?