23 março 2009

palavras mui lamechas

Estou na escola, no computador da escola. E as costas da minha mão direita estão húmidas. De uma gota de lágrima que rolou face abaixo, gota pesada, volumosa. Acabei de imprimir um documento de duas folhas, letra pequena, insignificante, preto da tinta no branco da página. Essa folha tem muitos muitos números. E olho para os números, tentando imaginar qual deles será um passaporte para uma coisa melhor. E volto a olhar, pensando que nenhum deles poderá anunciar essa sorte. E depois recordo. As âncoras que inventei para mim. O reiki, a pós graduação, as danças, o mestrado... E nos seus intervalos, recordo também aquilo em que passei uma borracha. As alegrias que me foram vedadas, as tristezas que tive de viver em indiferido, as direcções tomadas que não sei se foram por mim escolhidas, se ditadas por esta condição, o teu crescimento descontínuo, e claro, o dinheiro que semeei. Por baixo, 5 mil contos em portagens e combustível. Foda-se, é dinheiro. E aqui é que eu devia ser feliz. Mas o que sinto é um misto de injustiça e, sei lá, o momento não é o melhor. Mas estou pronta, custou, mas estou. Sem comiserações, com lucidez, coragem, pouca, a necessária.

5 comentários:

Anónimo disse...

"...mas ninguem nos tira o k temos, e kem sab, nos darão +"

Flávia disse...

Agora é continuar a olhar em frente, é continuar a lutar. Claro que valeu a pena! Ah Valente!!

Rita disse...

Ui.. boa sorte para tudo! *

lídia disse...

eu sei que os outros posts têm a tua cara. aquela cara de engraçada que só tu tens. mas este post, é finalmente aquele post...
parabéns isa... e vais ver que talvez seja agora que o teu presente se endireita...
kiss from azores ;)

Célia disse...

Então Isandes? Tem esperança, quem sabe se não é desta que te aproximas de tudo aquilo que mais gostas e desejas. Também eu ando nisto há 10 anos e não te preciso dizer mais nada. Vamos esperar com serenidade e cabeça para cima, miúda! Onde está a minha Isandes, carago?
Beijo grande e inté.