23 outubro 2008

Rewind

Isto de voltar à U.M. fez-me recordar uma série de eventos que poderão ser passados em revista se um dia (cruzes credo canhoto, que seja tardio) vir a vida passar-me à frente...

* A notícia da entrada, comunicada telefonicamente pelo meu pai (que deu um saltinho a Gualtar depois de fazer as compras no Arminho) e que lhe valeu um raspanete - eu queria saber da notícia in loco, para ter direito aos borrões dos batons ressequidos na cara. Ingratidão minha, sei-o bem.

* As praxes. Lavar o escadório com uma escovinha de dentes, fingir de gata com cio, cantarolar canções inevitavelmente a descair para as asneirices,... O costume, pacífico. [Agora é que diz que é fixe; fazem uma espécie de jogos sem fronteiras nas piscinas municipais de Braga...Agora!...]

* "Choca é a tua minhoca!" - a nossa resposta-tipo para as acusações de sempre: "Tchóca! Tchóca! Choca de Letras!" (já se sabe que eles têm razão, mas quer-se dizer...). E eu que ainda sabia muito pouco do contexto biopsicossocial das minhocas...

E se há coisa curiosa, é isto. O meu curso estava no 1º do pódio das minhas preferências. Psicologia, Comunicação Social atrás, mas na altura timidamente, até. Entrei à volunta e não sra, não fugi à Matemática; gostava mesmo daquilo. Aliás, não me imagino muito confortavelmente numa outra profissão. Mas quando me indagam acerca do meu curso... "Português e Inglês. O Quê? Sim, sou professora..."

Não sei se serão resquícios do peso que é carregar com aquelas acusações de galinha poedeira, se da pressão actual que se instalou contra os stôres, se episódios de infância mal resolvidos, lol, ...

O certo é que a ironia reside nesta incongruência: amo o que faço, privilegiei sempre a minha carreira (erradamente, sei-o eu agora), mas... talvez por sentir que há um desfazamento entre a entrega pessoal e a recompensa, não sei, não anuncio o que faço com vaidade. Se me ouvirem falar sobre o que faço, julgo que esta contradição não se sente, mas no meio de povo desconhecido...

Se soubesse o que sei hoje, tinha ido para azeiteira: andava de rabo tremido, a ver mundo, "ó vizinha, quantas gramas de marmelada?", conversa daqui, conversa dacolá, era giro, não sei.

7 comentários:

Anónimo disse...

Há quem te admire essa paixão pela carreira, mesmo com todos os inconvenientes que tal possa ter."Arrepende-te do que fizeste e não do que não fizeste" - a expressão foi tua...
Por si há quem tenha admiração pela classe que representa.
...Sabia-te gata, agora...

Ianita disse...

Tenho imensas saudades desses tempos de Faculdade, dos inícios, quando tudo era novo a estrear e tudo me deixava com os olhos a brilhar...

Se voltasse não seria o mesmo, até porque voltaria veteraníssima e isso ia balançar ali alguns jogos de poder...

Quanto ao ser professora......................... como deves saber, deixei de ser professora há pouco tempo, em Março para ser precisa. Não me arrependo nunca. Mas tenho muitas saudades, muitas muitas muitas. Dos miúdos, que me faziam a vida num Inferno, mas que eu adorava de morte. Por eles valeu sempre a pena... as outras coisas, as pessoas que denigrem a minha ex-profissão, as medidas que são tomadas para desprestigiar cada vez mais os educadores do país, essas coisas.... essas coisas tento esquecê-las, mas é difícil. Tenho pena de não ter podido continuar, porque adorava os miúdos, adorava a minha profissão e era boa no que fazia. Mas... há um limite para o que cada um de nós pode suportar e o meu.....

Tenta sentir orgulho. Por ti, por mim e por todos nós.

Kisses :)

meira disse...

Olá isandes!

Relativamente ao que escreveste no dia 23,n sei se estás errada mto sinceramente, pq se até tivesses feito uma outra opção, não sabes se estarias melhor!E esse é o doce ou o amargo da vida...
É claro, que na conjuntura em que vivemos e nos deparamos, ninguém tem a certeza do seu futuro, independentemente, se hj se encontra no seu auge da vida ou não.
Mas, já alguém me disse um dia, "no dia em que acordarmos, e não tivermos um problema, algo de muito grave deve estar acontecer connosco!" - "Vale a pena, pensar nisto"
Um beijo
Aproveito a oportunidade, para dar os parabéns à Sara Cardoso, pq durante todo este tempo, revelou-se uma mulher extremamente forte e lutadora.Um abraço para ela

Anónimo disse...

olá
Já te disse pessoalmente que me identifico com muitas das situações que aqui relatas. De forma brilhante... diga-se.
Já tentei deixar aqui um comentário mas eu, ao contrário de ti, sou um fiasco na escrita. Mas hoje ganhei coragem. E porquê??? O tema, a dúvida, a solidariedade... É uma profissão muito digna( OK... querem convencer-nos que não). E como diz um provérbio chinês(??): "Educai as Crianças e não será preciso punir Homens".
Beijinhos

Isandes disse...

Meira! Como ontem foi dia de São Receber, é provável k tenhas direito a fogo de artifício pa celebrar a tua participação neste espaço! :)


Ianita, e se eu te contasse k consigo reinventar os meus limites, como se fosse um atleta olímpico dos saltos em comprimento (pode ser akele giro, o Évora)?...
Mas tiveste coragem; gostar e deixar. Compliqué... Kiss


Anónimos: obrigada.

2º anónimo: pessoalmente? Não estou a ver kem sejas...

Patrícia disse...

Isandes, azeiteira podes ser sempre, até gostava de ver:)

Mas não é possível, ser professora está-te no sangue, na alma, cravado nos poros, os alunos que esqueçam porque vão ter de te aguentar.
Quem nasce torto nunca se endireita…
To a brincar, dou muito valor ao trabalho de professor e poucas pessoas se podem orgulhar de dizer que trabalham naquilo que mais gostam e isso parece cada vez mais um privilégio.
Bj gnd

Rita disse...

E quem bate palmas é do Minho, é do Minho, é do Minhooooooooooo! :D melhor academia do mundo :P