Andar a pé faz mesmo bem. Ontem passei por um formando adulto, que parecia o chihuahua da respectiva mamãe. E conheci a namorada dum ex-instrutor do ginásio bué da gordicha. E ouvi piropos de adolescentes. 10 minutos aeróbicos maravilhosos. (Obrigada, sr.Universo.)
31 dezembro 2010
29 dezembro 2010
Para ela, eu estava a ser a última de muitas que se seguiriam. Eu tacteava, hesitava, retrocedia; ela avançava com a fome e a sede de mil noites de exílio. Qui-lo com as janelas e as cortinas escancaradas, para me atirar com a inconfidência das sombras dos prédios opostos e para que eu ouvisse a orquestração viva dos turnos diurnos. Fê-lo para melhor seguir o trilho das estrias das minhas coxas e para não deixar de olhar para as dobras das minhas carnes tão timidamente expostas. Não houve troca de palavras, nem poderia havê-la ali. O verbo tinha vindo antes, muito antes, exorcizados que foram os medos, moralismos e culpas.
Agarrei-me ao sommier que o estrado não tinha e às fantasias pré-fabricadas de um acto ternurento. Depois, como num salto, dei um passo em frente, deixei-me, permiti-me. Nenhum milímetro do meu corpo ficou por lamber, morder ou massajar. Os meus ombros, beijados como um santo milagreiro que se adora por respeito e esperanças, os meus dedos, chupados como quem suga o sangue, o elixir, a fonte de vida. O fantasma da penetração já havia sido expulso. Agora era o momento de dar e receber, de igual para igual, sem colonizadores nem colonizados, sem espadas, sem falos, sem músculos ou barba ou testosterona. Um espelho, um boomerang, uma piscina de água morna no sopé de uma montanha relvada.
Agarrei-me ao sommier que o estrado não tinha e às fantasias pré-fabricadas de um acto ternurento. Depois, como num salto, dei um passo em frente, deixei-me, permiti-me. Nenhum milímetro do meu corpo ficou por lamber, morder ou massajar. Os meus ombros, beijados como um santo milagreiro que se adora por respeito e esperanças, os meus dedos, chupados como quem suga o sangue, o elixir, a fonte de vida. O fantasma da penetração já havia sido expulso. Agora era o momento de dar e receber, de igual para igual, sem colonizadores nem colonizados, sem espadas, sem falos, sem músculos ou barba ou testosterona. Um espelho, um boomerang, uma piscina de água morna no sopé de uma montanha relvada.
28 dezembro 2010
clico?
26 dezembro 2010
pode-se dizer que é arte, sim sr.
Fanatismos à parte, não me lembro dum genérico tão brilhante: eroticamente animalesco, autosarcástico, cru. De génio.
25 dezembro 2010
Este ano deu
"Smart Box"s e "A Vida é Bela"s... não me estou a queixar, muito pelo contrário.
E a tradição repete-se: sei que não gosto de rabanadas, mas tenho sempre de comer uma. E depois arrepender-me porque aquilo é basicamente pão banhado em óleo.
E a tradição repete-se: sei que não gosto de rabanadas, mas tenho sempre de comer uma. E depois arrepender-me porque aquilo é basicamente pão banhado em óleo.
22 dezembro 2010
via email, velinha acesa ou fechando os olhinhos
Se eu tivesse assento nas bancadas parlamentares da organização do cosmos, avançava com a seguinte proposta: a cada dez cacetadas do Sr.Universo, o direito a pedir um desejo.
Não precisava de ser um prémio chorudo, a erradicação total e definitiva da celulite ou o príncipe encantado. Assim, tipo um miminho, só para ter vontade de ir para a cama e saber que se vai acordar bem-disposto.
Não precisava de ser um prémio chorudo, a erradicação total e definitiva da celulite ou o príncipe encantado. Assim, tipo um miminho, só para ter vontade de ir para a cama e saber que se vai acordar bem-disposto.
20 dezembro 2010
3 anatomias em falta
A 1ª por um mui precoce jantar de Natal; a 2ª porque aguentei com o jornal da 2, com o Câmara Clara e alguns anúncios, para depois apagar durante 10 horas non stop, no pare, sigue-sigue; a 3ª por um jantar de Natal aonde vou vestida de tigresse, groar, mas que já sei que vou comer pouco, porque é numa cantina e ninguém quer desalapar o rabo para ir buscar as travessas e porque o vinho é rascofóne. O que é muito bom, porque não engordarei. Nessa noite.
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(Afinal cabia outra. Era vitelinha, quentinha, e Monte Velho, sempre ora muito cheio,
ora muito vazio...)
ora muito vazio...)
19 dezembro 2010
Machos deste país
15 dezembro 2010
dica rapidinha para maus humores
10 dezembro 2010
será que
...se perder 7 kgs e usar collants verde caqui e misturar laranja com roxo no outfit, complementado com uma clutch vintage e uns pump de 11 cm apareço no Alfaiate alfacinha?
08 dezembro 2010
quoting
- Sabes titi, a Catarina disse na aula de Inglês que não acredita no Pai Natal, que ele não existe. E a minha teacher respondeu que ela não tinha o direito de estragar os sonhos dos outros meninos. Eu já resolvi: vou fazer de conta que acredito.
(...) Pois, realmente, uma vez nós fomos todos para a cama e quando acordei, de manhãzinha, quando ainda estavam todos a dormir, o pinheiro estava cheio de prendas... Mas tens razão, se calhar agora o Pai Natal só dá prendas aos meninos pobres e eu não sou. Olha, é como a fadinha dos dentes: aquilo resulta por isso vou fazer como quando era pequenina e vou acreditar nele...
:)
:)
06 dezembro 2010
xi
Entre jantares e copainas megacalóricas e painéis de inspecção e dezenas de testes e pistola depiladora e aulas extras e patati-patatá...
(this week will be so f*d up...)
05 dezembro 2010
o ponto final
Não sei lidar com a morte.
A G., amizade distanciada pelo tempo e circunstâncias várias, foi um murro no estômago. Agora, com as devidas diferenças, a minha doce e surda e estrábica e coxa dálmata está em sofrimento com problemas cardíacos, que, mesmo medicada e com mantas e aquecedor, a impedem desde ontem de se segurar; apresenta uma temperatura corporal digna de um pinguim e não come, algo muuuuiiiito estranho nela.
A última experiência dolorosa ocorreu na minha adolescência, cujas vicissitudes da idade felizmente anestesiaram a perda. Não estou mesmo nada preparada e sei que não vou estar nunca. Não há energia, deus ou anjinho que me valha; dizer adeus é do pior e ponto final
A G., amizade distanciada pelo tempo e circunstâncias várias, foi um murro no estômago. Agora, com as devidas diferenças, a minha doce e surda e estrábica e coxa dálmata está em sofrimento com problemas cardíacos, que, mesmo medicada e com mantas e aquecedor, a impedem desde ontem de se segurar; apresenta uma temperatura corporal digna de um pinguim e não come, algo muuuuiiiito estranho nela.
A última experiência dolorosa ocorreu na minha adolescência, cujas vicissitudes da idade felizmente anestesiaram a perda. Não estou mesmo nada preparada e sei que não vou estar nunca. Não há energia, deus ou anjinho que me valha; dizer adeus é do pior e ponto final
03 dezembro 2010
as privadas é que são
Trabalha-se há 3 meses sem se receber um tusto, marca-se benemeritamente uma aula para uns enregelados alunos São-tomenses recém-chegados e truflas, brindam-nos com a marcação/convocatória para uma aula extra. [Ambas gratuitas, claro.]
E o que é que a malta faz? Diz amén e replica com "Dra" e "Dr" aos seus pares nos gélidos corredores. Hipócrita, eu? Papi diz que em tempo de crise não se limpam armas.
E o que é que a malta faz? Diz amén e replica com "Dra" e "Dr" aos seus pares nos gélidos corredores. Hipócrita, eu? Papi diz que em tempo de crise não se limpam armas.
02 dezembro 2010
Estive lá na Páscoa
... e fartei-me de fazer perguntas sobre o regime, o racionamento de comida, as damas de companhia, ... Vim de lá de peito cheio (e barriga também, que isto de TI é um veneno...), pensando que tinha apreendido o âmago da questão.
Mas esta reportagem expõe com clareza a verdade verdadeira. E pensar que paguei 25 CUCs (+ ou- 25 euros) numa refeição igual às que consegui vir a comer por 5 com direito a piano. E que, mesmo assim, essa refeição representava metade do salário mínimo. (Por isso é que um dos empregados de mesa virou tetraplégico quando viu a P. a pôr cuspe nos dedos para contar as notas em cima da mesa de jantar!)
Mas esta reportagem expõe com clareza a verdade verdadeira. E pensar que paguei 25 CUCs (+ ou- 25 euros) numa refeição igual às que consegui vir a comer por 5 com direito a piano. E que, mesmo assim, essa refeição representava metade do salário mínimo. (Por isso é que um dos empregados de mesa virou tetraplégico quando viu a P. a pôr cuspe nos dedos para contar as notas em cima da mesa de jantar!)
http://www.publico.pt/Mundo/reportagem-trinta-dias-como-um-cubano_1468622?all=1
01 dezembro 2010
about x-mas
Dia 1º de Dezembro, feriado, já dá para se começar a falar de prendas de Natal, certo?
Já comprei algumas - aquelas que considerei desenhadas para fulano e sicrano e cujo receio de esgotamento de stocks me inquieta e para as quais me deram garantia de possibilidade de troca.
Entretanto, as restantes são tarefa homérica - para x, que diz que não quer nada, que umas simples meias chegam, mas que torce o nariz quando recebe um cachecol; para y, que não é materialista e que é tão down-to-earth que é difícil surpreender; para w, a quem se tenta dar coisas úteis e a quem só se oferece futilidades altamente previsíveis, isentas do factor "x"; e àqueles que têm, literalmente, tudo o que a tenra idade aconselha possuir.
Então, então, estou algo desencantada, porque se fala em adiar as ofertas por uns dias, para fintar o ultrajante período de saldos, cada vez mais prematuro... E toda a gente pergunta a toda a gente o que quer e como quer.
No tempo da minha mami é que era: um ovo estrelado ao pequeno almoço e livre acesso a açúcar o dia todo...
Já comprei algumas - aquelas que considerei desenhadas para fulano e sicrano e cujo receio de esgotamento de stocks me inquieta e para as quais me deram garantia de possibilidade de troca.
Entretanto, as restantes são tarefa homérica - para x, que diz que não quer nada, que umas simples meias chegam, mas que torce o nariz quando recebe um cachecol; para y, que não é materialista e que é tão down-to-earth que é difícil surpreender; para w, a quem se tenta dar coisas úteis e a quem só se oferece futilidades altamente previsíveis, isentas do factor "x"; e àqueles que têm, literalmente, tudo o que a tenra idade aconselha possuir.
Então, então, estou algo desencantada, porque se fala em adiar as ofertas por uns dias, para fintar o ultrajante período de saldos, cada vez mais prematuro... E toda a gente pergunta a toda a gente o que quer e como quer.
No tempo da minha mami é que era: um ovo estrelado ao pequeno almoço e livre acesso a açúcar o dia todo...
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