31 julho 2008

Friday dinner

Um dia destes, reuni com uma malta que já não via há algum tempo. A alguns, já não os avistava desde a década de 8O...
Desde então muita coisa mudou. Os "aillerons" dianteiros, fixos com a persistência da laca materna e orgulhosamente exibidos no alto da testa, CAÍRAM em desuso; a cinta das calças desceu 8,5 centímetros; não se usam já os punhos brancos das camisas revirados um palmo por cima das camisolas... E claro, os humores, os valores, as atitudes, as prioridades e expectativas mudaram também.
Antecipadamente compreendida e aceite a ideia de que o jantar giraria em torno de tópicos como a gravidez, os primeiros dentes do filho varão, o embargo da construção da vivenda e outros que tais, preparei-me para um serão onde teria oportunidade para ouvir as gargalhadas daquelas pessoas que me eram mais especiais e para, fundamentalmente, de alguma forma preencher com a cumplicidade possível aquilo que um hiato de tempo nos havia anestesiado.
Acontece que cada um de nós parecia protegido por uma redomazinha. Do lado de dentro, encontravam-se as respectivas famílias, os afazeres do emprego e algumas pequenas extravagâncias; do lado de fora, impunha-se uma distância de segurança, como se em caso de invasão do perímetro, essa bolha rebentasse irremediavelmente.
Em jeito de resumo: passou-se a noite a perguntar quem, o quê e onde. Poucos indagaram como e porquê. Percebi que todos podem (e devem) efectivamente permanecer no coração; apenas não lhes posso, nem eles a mim, exigir que se reconheça, entenda e ame o novo eu.

30 julho 2008

ENQUÊTJI - Leite e morango

Franchement, não percebi por que razão não haja quem tenha visto na poça de leite e no morango reflexos de erotismo...
Ora vejamos. O leite, branco cândido, líquido mas encorpado, sempre bem apessoado; apreciado frio, morno ou quente, a escaldar.
O morango, vermelho sangue, vermelho vulcão, vermelho paixão. Carnudo, mas doce, suave.
Branco e vermelho. Sugestão e simbolismo; ambos impositivos. Um poderia representar a concepção, o início da existência e da vida; o outro seria o estandarte do desejo, a materialização do prazer, a renovaçãom de ciclos vitais.
Bem, combinados talvez provoquem indigestão ;)

28 julho 2008

"Passeio no Campo"

Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada e alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo!

Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras...


Florbela Espanca, Charneca em Flor

27 julho 2008

Medo(s)

O medo castra as nossas realizações, é certo. Mas a ausência dele põe fermento nos actos de leviandade que todos nós, felizmente, praticamos mais ou menos amiúde.
É difícil gerir os nossos medos. Se vivermos à sombra deles, não teremos mais do que pequenas doses de felicidade, nunca fabricadas por nós, mas fruto de vicissitudes.
Ao invés, se os ignorarmos totalmente, a vida, o destino, a providência divina, as coincidências, o acaso (chamem-lhe o que quiserem), logo se encarrega de nos beliscar e acordar desse sonambulismo. É difícil tirar lições desses beliscões, especialmente quando olhamos à nossa volta e sentimos que há pessoas a quem a vida está sempre a sorrir. Mas será melhor vivermos em piltoto automático, aceitando prontamente as prendas, mas atribuindo as coisas más a uma entidade tão vaga como o azar?

24 julho 2008

O Erotismo - II

O mundo do erotismo é uma espécie de equação onde a atitude elevada ao cubo é adicionada ao corpo humano, multiplicada por um número-primo da provocação, e cujo resultado é o prazer.
O prazer. O Bernardo não-sei-das-quantas dizia que o prazer mata o desejo. E eu diria que, em certa medida, concordo com ele. Aliás, já no tempo do desentendimento causado pela cobra e pela maçã se constava que o fruto proibido era o mais apetecido. É como o bolo cheio de creme pasteleiro, que, petulante, se exibe na montra de uma pastelaria. A gente passa por ele e tenta dar-lhe desprezo; depois, namoramo-lo e sucumbimos ao seu poder. Após lambuzarmos os dedos, mastigamos com dificuldade o balanço da experiência - afinal, tinha mais piada na qualidade de estímulo visual, afinal, não era assim tão especial. É clássico. Com o prazer carnal, as coisas são algo assim: enquanto fantasiamos, damos cartas e só vamos a jogo se, quando e com quem quisermos. Por sua vez, quando nos unimos a alguém, corremos o risco de vermos as nossas expectativas chumbadas. Vá, um exercício de recuo no tempo: como foram as vossas primeiríssimas experiências? Aposto que muito na onda do "ai, não, pára, ai, s..., euh, não, hoje não...".
Não, não sou puritana, não pretendo abraçar a clausura, não sofri desilusão amorosa, nem estou com s.p.m. Idealmente, algumas fantasias devem permanecer no íntimo plano da nossa imaginação. Guardamo-las bem fechadinhas como a nossa touca de baptismo, como aqueles bilhetinhos de amor que recebíamos em miúdos, como Aquela Foto. São nossas. Iremos sempre a tempo de partilhá-las. E, quem sabe, presenteá-las...

23 julho 2008

S-E-X

" O sexo é uma troca de energia sagrada".
* No original inglês: Sacred Energy Exchange. (N.T.)


in Os Sete Centros de Energia - Abordagem Holística
da Vitalidade Física, Emocional e Espiritual,
Elizabeth Clare Prophet & Patricia R. Spadaro, Editorial Estampa

22 julho 2008

Vote!

Aos inúmeros leitores deste blog:
No 1º inquérito por mim proposto, pude constatar que Vossas Exas. têm uma relação muito saudável com o mundo das cores. Todos constataram que este blog é cor-de-rosa. Fantástico.
Agora o desafio é outro. Expressem a vossa visão sobre o universo do erotismo. Votem na "enquétji" e/ou desabafem os vossos desejos e fantasias mais profundos. O calor até puxa, né?

20 julho 2008

O Erotismo

Um dia destes, numa daquelas viagens inter urbanas em que levamos com um autocarro pára-arranca à nossa frente, dei por mim a poisar o meu olhar no outdoor de um hotel famalicense. E claro, dei livre trânsito à minha cabecinha, que espontaneamente encadeou numa óbvia associação de ideias do estilo "hotel - cama; cama - sexo; sexo - hoje-não,-que-me-dói-a-cabeça; dói-te-a-cabeça, - f*!,-vou-ligar-a-TV-cabo; TV cabo - filmes; filmes - bolinha vermelha; bolinha - porno; porno - erotismo". E prontos, estava dado o mote...
Então, comecei a pensar naquela situação em que os miúdos nos perguntam o que significa uma dada palavra desconhecida e tentei, de forma despretensiosa, construir uma breve definição de erotismo.

Que foi mais ou menos isto: "A prática ou constatação de actos sugestivos, que... (e aqui encravei no inglesismo arousment) ... despoletam em nós formigueiro, calafrios, pelinhos a bater palmas, ai-ai, cóciguiiiinhas na barriga e um sorriso maroto".

Claro que para além de naïf, isto era muito ambíguo. Decidi então prosseguir, mas agora dedicada ao adjectivo. "Erótico é o que (ou quem) mostra sem despir, despe sem rasgar, rasga sem aleijar e aleija sem ferir. É o que (ou quem) geme sem gritar, grita sem falar; é o odor que não se faz cheirar e a mecha de cabelo que cai diagonalmente sobre o rosto. É a subtileza do toque e a rudeza da palavra, é arco-íris de sensações, é contemplação mas também resposta." (Claro que entretanto ia passando um vermelho e praguejei um coche... lol)

Depois, fiz uma coisa que cá sei para que, ao chegar a casa, não me esquecesse de ir a um dicionário cinzento, não desfazendo, a fim de ver o que eles propunham a este respeito. A definição da Porto Editora: "amor sensual; preocupações sexuais patologicamente exageradas; PSICANÁLISE termo que designa a aptidão da excitação e da actividade de certas zonas corporais para se acompanhar de prazer sexual".

A partir disto, a minha onda foi dedicar-me a mais aplaudir as grandes diferenças que nos caracterizam a todos e que, felizmente, nos permitem ter visões diferentes sobre um mesmo assunto. Que fronteiras entre o erotismo e a pornografia? Que mudança de campo do voyeurismo consentido para a contemplação extasiada? Dicotomia amor com sexo/sexo com amor? Eh pá, isto é gajo ´pra dar que falar...

19 julho 2008

Tornar-se menos Gordo(a)

Quem me conhece sabe que pertenço ao amplo clube de gajas que prontamente afinam o ouvido quando se ouve falar de fórmulas novas para emagrecer. "Mas tu não és gorda", estarão já a pensar e a querer registar num post. Certo. Mas também não sou magra. E hoje em dia é complicado não ter sido, não ser ou não estar em vias de o ser. As revistas, a TV e a moda impingem-nos ideais de beleza que nos incitam a ser constantemente portadoras de um ar misterioso, look bronzeado total e olhar a "el matador", sendo que a chave do sucesso passa, basicamente, por coser a boca. Até parece simples, nã0?
De qualquer modo, não pretendo versar sobre a ditadura da imagem de magreza do mundo moderno, blá blá blá.
A ironia maior que eu vejo, meus amigos, é a tensão que se estabeleceu entre a vontade de comer (A) e o objectivo de tornarmo-nos e mantermo-nos magros (B). O caminho percorrido do ponto A ao B, e todos os processos a ele subjacentes, é que é um paradoxo total.
CLA, Reductil, Nature House, vinagre na garrafinha de água, sopa de cebola, xarope de seiva, medicação manipulada importada do Brasil, Herbalife, Dr.Romeu (& his fabulastic pills), ... A lista é medonha! E todos nós conhecemos alguém (tcharam, aí vem um mito urbano) que toma, tomou ou se encontra na iminência de tomar um miraculoso comprimido que, alegadamente, tornará esse alguém mais feliz ao emagrecer.
Pois bem, e contra mim falo, lembremo-nos que muitos seres humanos morrem a cada minuto por não terem que comer (ficava aqui bem uma estatisticazinha, não era?); que a indústria farmacêutica engrossa as suas contas bancárias a cada dia que passa, investindo nas curas para a gordura, em detrimento da cura para os cancros; que o Dr.Romeu avia, só em Braga, cerca de 30 a 50 gordos por Sábado, a 50 euros cada um; que os big bosses da Herbalife conduzem Porshes e Ferraris vermelhos e cinzas, sempre limpinhos, sem cagadelas de pombos; que de certezinha, certezinha, que os produtos da Nature House são testados em ratinhos indefesos; que..., que....
Eh pá, viva a banhinha, viva a curva da alegria, o pneu (e qual é o boing que não tem pneu, hein?), a barriguxa, o presunto português, a torta de azeitão, o binho berde, o queijo da serra, o croissant da Caneiros, VIVA A VIDA!

17 julho 2008

Férias (iupi?)

Isto das férias é curioso. Está-se um ano a fio à espera delas; lá chegam, hiper-anunciadas, mega-desejadas, fermentadas de planos, polvilhadas de expectativas e..., truflas!, atingem-nos tão forte que ficamos meio atordoados. Quando damos por ela, vemo-nos a braços com uma série de questões difíceis...
1º. As mudanças de energia. Desculpem, mas quer a repudiem ou não, a verdade é que andamos um ano inteiro ao comando do alarme despertador e depois é vermo-nos a contrariar o reloginho biológico, lutando para ficar na cama e não dar o braço a torcer à vozinha que nos diz "esquece, o joão pestana já cá não está pra te atender"... E poder almoçar TODOS OS DIAS DA SEMANA em família ao longo de longos 65 minutos? Os dois primeiros dias têm piada...
2º. As visitinhas "pica-cartão" e os "eh pá, temos de nos encontrar" aparentemente descontraídos, que depressa se transformam num rol de "au pairs" estivais entre amigos, longos caféZes sustendados em conversas fotocopiadas e elaboradas jantaradas onde não convém aparecer de chanata no pé porque fica tudo a olhar. Claro, também temos os casamentos, comunhões e baptizados, os saldos, ... Não será isto sobrehumano? A agenda não devia ficar quietinha no seu canto?
3º. O vá para fora lá fora. Que seria de excluir desta lista não fosse o preço de 1 semana num qualquer "destino de avião + transfers" sugar num instantinho o nosso ordenado.
4º. Os corpos MUITO ao léu. (Com tudo o que isso tem de bom e mau...)
5º. O fim deste suplício. Que é infinitamente pior do que o seu início.

16 julho 2008

Saudade

Hoje recebi uma notícia triste. Uma amiga deixou de estar à distância de um telefonema ou de uma visita a Lisboa.
Para além da dor que temos de mastigar por se tratar de um evento irreparável, para além das saudades dos sorrisos que não vemos mais senão em evocação e da voz meiga e divertida cujo registo aúdio felizmente guardamos, há outra confrontação.
Quando perdemos alguém, somos realmente confrontados com a certeza de que não acontece só aos outros. E dói porque tememos que essas perdas se aproximem dos nossos círculos mais íntimos e cheguem às pessoas que estão no nosso pódio.
Este é um trabalho muito difícil, o de interiorizar, crer na ideia de que vamos muito para além da matéria. Aceitar que os nossos relacionamentos são finitos neste tempo. E mais difícil ainda, dizer à nossa dor para sossegar, porque afinal estamos todos juntos, apenas não o estamos à mesma hora, no mesmo sítio.

14 julho 2008

Hoje vai ser uma festa...



PS - Desprezo aos ursinhos fofos. Não são da minha autoria; já vinham com o pacote...

12 julho 2008

E pincha, Tóine, e pincha, Tóine, olé!

Pinchar - acto de saltar, dar um pulo.
Como em ... "Éia man, quando vi a conta do restaurante até pinchei!"
A língua portuguesa é dona de um espólio fantástico. Façam o favor de o preservar, sim?

11 julho 2008

"Ninguém faz Castelos"

Um dia destes, uma Amiga sacou do seu I-pod e deu-me a conhecer esta música.
Apesar de pessimista (coisa nada usual prás bandas de Rita Guerra, de quem, já agora, não sou grande fã, não obstante lhe reconhecer talento), esta letra é sintomática; julgo que retrata mais o estado de auto-gestão a que nos ligámos, do que propriamente uma opção consciente...
Hoje fiz de conta / Que o mundo era meu / Quis pintá-lo alegre / Como eu / Mostrar a toda gente / O que estava a sentir / Como as coisas simples / Nos fazem sorrir / Ninguém vê / O dia a nascer, / O amanhecer / Ninguém vê / A vida acontecer / Ninguém faz castelos / No ar / E não há quem queira / Sonhar / Já ninguém pára / P'ra ver em vez de olhar / (...) Toda gente corre / Sem saber / E passa pela vida / Sem viver / (...) Ninguém faz castelos / No ar (...)
Em altura de Verão, podemos começar a treinar a cena dos castelos na areia, não? ;)

09 julho 2008

Resgatem-me!

Com esta história do livre acesso à informação, da democratização da cultura, da validação e certificação de competências, das frequentes incursões ao mundo do cinema elitista, das FNAC(ona)s e demais agentes de elevação (?) dos nossos níveis linguístico-culturais, estão a perder-se elementos vitais da nossa identidade!
A língua, meus senhores, a língua está a ressequir, a desidratar, a definhar. (É hora de correrem pró espelho e fazerem o teste)
Salvemo-la, resgatemo-la desse futuro que não hesita em sugá-la para areias movediças de onde jamais sairá.
1º vocábulo:
Morenar - bronzear, tornar moreno.
As in: Ontem ´tava um dia mesmo bom na Póvoa. Morenei bué! Olha-me prás marcas...

08 julho 2008

Dever Público

Sinto-me imbuída de um espírito de missão. É por isso que resgato do meu egoísmo este hilariante excerto.

(CONTEXTO: uma bela e quente francesinha não quer ser devorada por um beef, apesar de ter mandado vir as entradas)
"Non, ça ne vas pas, (...) A terrible erreur". She wanted me
to pardon her. "Et merci", she added.
"Merci pourquoi?" Even I´m not vain enough to imagine that
one lick of my tonsils is enough to provoke instant orgasm
"Thank you for being so English. You are a gentleman. You let
me kiss you without..."
No, I´m not a bloody English gentleman, I wanted to tell her.
If she meant gentleman in the not-wanting-to-sleep-with-you-immediately sense of
the word, the only Englishmen I knew of were pre-pubescents who were just
waiting until their pubic hair started to grow. Christine didn´t know we Brits
had come a long way since Jane Austen´s heroines could be sure that they
wouldn´t get a good rogering as soon as they said yes to a walk in the woods.
Even Princess Di used to do it up against a tree with her riding instructor,
didn´t she? And now there was nothing at all gentlemanly going on in my brain or
my boxer shorts
"Pardonne-moi, mon Englishman", she said fondly, and left me
standing there in the ladies, alone with yet another useless erection. Lucky
hard-ons are bio-degradable, I thought, because I was throwing a lot of
them away.
"Fuck you, Mr.Darcy," I told the ceiling. "Fuck you, Hugh
Grant. How can you expect a Brit to get his end away if you go around being so
bloody polite all the time?"
(in A Year in the Merde, Stephen Clarke)

06 julho 2008

Portugueses e Portuguesas...


Qualquer dia, hoje será um grande dia. ´Bora lá cortar a fita e dar início ao beberete!